Talvez a melhor mensagem de homenagem a Fausto.
Os que me conhecem sabem que não simpatizo com Pedro Abrunhosa, mas isso agora não interessa, o que interessa é que de todas as mensagens a que mais me tocou pelas verdades escritas é esta.
Eu fiquei-me pelo tradicional "até um dia amigo".
"Morreu o melhor de nós. Fausto Bordalo Dias. Poeta. Músico. Inventor de estéticas. Matou-o o silêncio das rádios que não o passaram porque não era moderno, os prémios que não ganhou porque não era mediático, os festivais que não fez porque a sua música não era quadrada, a contabilidade dos poucos ‘streamings’ porque não escrevia a metro nem música é cálculo. Mataram-no os que nunca o viram ao vivo quando puderam, os que nunca o ouviram porque não quiseram, os que vão jurar que sempre o amaram, os que lhe vão fazer homenagens porque são urbanos e civilizados. Não lhe matem mais a Música por favor ! Já chega de heróis mortos com as canções estragadas pela ganância. Sou uma merda porque, também eu, colaborei para a construção deste ‘showbizz’ falso de esgoto e brilhantes. Mas ouvi-o, ouvi-o de novo, decorei-o, chorei-o, cantei-o e beijei-lhe as mãos quando um dia o encontrei para lhe dizer tudo isto. Morreste-me, Fausto. Morreste a um país inteiro cego para a Música e surdo para a Poesia. Até sempre! E perdoa a nossa miséria."
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