O Amor de uma diva.

Marlene Dietrich amou Edith Piaf por anos, mas esse amor nunca foi correspondido. Edith, talvez, tenha até se aproveitado dessa paixão. Marlene, em sua devoção, fez tudo por Piaf — tudo o que uma deusa pode fazer por outra, quando está apaixonada. Acompanhou-a em turnês pelo mundo, consolou-a em suas tragédias e, ironicamente, chegou a levá-la até os braços de seus inúmeros amantes secretos, aqueles que recebiam o amor que Marlene nunca pôde ter.  

O ponto de ruptura para Marlene foi a relação de Edith com as drogas. Em sua autobiografia de 1984, Dietrich revelou:  
"Quando começou a se drogar, deixei de ser fiel a ela. Era mais do que eu podia suportar. [...] Eu estava desesperada. As drogas não eram tão perigosas quanto as de hoje — não havia heroína ou outras substâncias igualmente letais —, mas ainda assim eram drogas, e eu desisti de ajudá-la. Meu amor por ela persistia, mas havia se tornado inútil. [...] Abandonei Edith Piaf como uma criança perdida, que sempre lamentarei e levarei para sempre no coração." 

O amor de Marlene por Edith nunca desapareceu, como ela mesma confessou. E como poderia? Era o mesmo amor que a fez se ajoelhar aos pés de Piaf no dia de seu casamento para ajeitar seu sapato, enquanto fotógrafos capturavam a cena. Marlene, a diva das divas, que poderia ter o mundo a seus pés, prostrava-se diante de sua amada.  

O amor, afinal, é capaz de humanizar até mesmo os deuses.  

Fonte: Francesco Dell’Acqua  
📷 Fotografia de Nick de Morgoli, Paris, 1952

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