666 (The Apocalypse of John, 13/18)

O Zé Luis (BeardCode) sugeriu-me que escrevesse no Blog sobre Jazz, mas eu não poderia deixar que o mês de Junho acabasse sem falar numa obra tão importante como este album.

Um dos discos mais ousados da história da música completa neste mês de Junho 52 anos. Trata-se da obra-prima, de seu nome completo; 666 (The Apocalypse of John, 13/18), lançado pelo grupo grego Aphrodite’s Child.

Aos que desconhecem este grandioso álbum, fica o alerta da necessidade de ouvir este álbum duplo, o qual demorou vários meses para ser lançado, envolto em torno de polêmicas e zangas entre os elementos do grupo.

Formado por três grandes nomes do rock grego, o vocalista e baixista Demis Roussos, o teclista Vangelis e o baterista Lucas Sideras, o Aphrodite’s Child já tinham algum sucesso no final da década de 60, através de canções que lembravam bastante a fase psicodélica do grupo australiano Bee Gees, e entrou o ano de 1970 com dois discos na carreira: End Of The World (1968) e It’s Five O’Clock (1969), destacando canções como ‘Rain And Tears’, ‘Let Me Love, Let Me Live’ e ‘It’s Five O’Clock’, além do compacto ‘Spring, Summer, Winter And Fall’ de 1970.

O sucesso destes dois álbuns foi tão grande que o grupo partiu para uma longa turnê pelo continente Europeu, porém sem ter Vangelis nos teclados, que preferiu ficar nos estúdios para compor bandas sonoras para filmes. Passado a turnê, o grupo reuniu-se e começou a ensaiar e gravar o terceiro álbum, que era uma adaptação ao “Livro das Revelações da Bíblia”, baseado no Apocalipse de São João, do Novo Testamento.

Para isso, recrutaram Argyris Kouloris que tinha sido o primeiro guitarrista do Aphrodite’s Child logo no início da banda, na década de 60, tinha abandonado o grupo para seguir a carreira militar, em 1970, Argyris Kouloris decidiu abandonar o exercito e aceitar o convite dos velhos amigos Vangelis e Roussos para gravar o novo álbum da banda. Com a fome que trazia de musica, Kouloris tornou-se o responsável por, junto com as ideias malucas de Vangelis, mudar o som do Aphrodite’s Child para algo totalmente progressivo.

O quarteto então formado dedicou-se na construção musical daquela que seria a principal obra da banda, totalmente criada por Vangelis e com letras do cineasta grego Costas Ferris.

Os problemas em estudio adensam-se, Roussos nunca geriu bem o segundo plano a que foi votado por Vangelis que tomou os destinos da obra chegando mesmo a existir confronto físico entre os dois, há no entanto uma singularidade nisto tudo, mal começavam a gravar existia uma cumplicidade entre os elementos havendo até troca de olhares entre os dois no sentido de aceitamento do trabalho que estava a ser feito, mas mais, abraços e troca de afetos após a audição das gravações, com isto o album demorou mais de três meses a ser gravado ficando decidido que os Aphrodite’s Child acabariam após o lançamento do disco, só que os problemas não acabaram, A Mercury rejeitou o album, quer pelo nome quer porque se dizia que as gravações foram efectuadas sob a influência de sahlep que para os produtores da Mercury era uma evidência do consumo de drogas, só que sahlep é uma espécie de chá turco feito com raiz de orquídea.

Decidiu então a Mercury entregar a produção e lançamento do album à sua subsidiaria a, então pequena editora, Vertigo.

Os problemas ainda não tinham acabado, a capa do disco foi vetada e indicada uma outra andando a banda e a editora numa luta até chegarem a acordo.

Num dia, não há registo do dia certo, do mês de Junho de 1972 foi lançado 666 (The Apocalypse of John, 13/18) obra fundamental do Rock Progressivo.

              Capa que foi vetada                    Capa do album


Comentários

  1. Muito interessante conhecer os "bastidores" das músicas e seus autores. Ou as estórias por detrás das músicas.

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